O relatório Mental State of the World, do Mental Health Million Project, tem sido atualizado anualmente e traz um panorama consistente sobre a saúde mental da população global.
Os dados mais recentes, com mais de 1 milhão de participantes em mais de 80 países, mostram um padrão preocupante:
* Não houve recuperação da saúde mental global após a pandemia
* Jovens (18–34 anos) apresentam os piores indicadores
* Cerca de 40% da população relata sofrimento mental com impacto funcional
* A piora já vinha sendo observada antes da pandemia e se manteve nos anos seguintes
Entre os fatores associados, destacam-se:
* uso precoce e intenso de smartphones
* redução da qualidade das relações sociais
* mudanças no estilo de vida
* fatores ambientais e culturais
O conjunto dos dados reforça um ponto central:
a saúde mental não pode ser compreendida apenas como uma questão individual, mas como resultado de um ambiente biológico, relacional e social em transformação.
Isso tem implicações diretas para a infância.
Crianças não adoecem isoladamente. Elas se desenvolvem dentro de sistemas — familiares, sociais e culturais. E quando esses sistemas estão sobrecarregados, instáveis ou desconectados, o impacto aparece no comportamento, na alimentação, no sono e na regulação emocional.
Talvez o cuidado em saúde mental — especialmente na pediatria — precise cada vez menos de respostas rápidas e cada vez mais de reconstrução de contexto: mais presença, mais previsibilidade, mais vínculo.
Segue o relatório na íntegra. Relatório





